sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Pangéia Rítmica


Em ciência da computação, Força Bruta (ou busca exaustiva) é uma algoritmo trivial mas de uso muito geral que consiste em enumerar todos os possíveis candidatos de uma solução e verificar se cada um satisfaz o problema.

O sétimo e mais soturno disco de Jorge Ben foi feito em apenas uma noite de 1970 (já dá uma idéia do clima que devia estar rolando). O disco deixa bem claro o entrosamento ímpar e fantástico entre o Trio Mocotó e o Zé Petrinho (a maioria das músicas sequer foram ensaiadas; Jorge cantava uma vez e em seguida com o Trio, gravava no improviso), como se estivesse num filme de Cassavetes.

Samba-rock, Groove, Soul carioca, disco de baladas de singela melancolia, místico, Disco-munal!
Abaixo, uma prova em Charles Jr, um macunaíma negro pintado por Goya numa aventura Dostoievskiana. É a herança da carne, nos ombros do messias.
"Vai vai"

domingo, 16 de janeiro de 2011

Meu Coppola Favorito


Um cineasta renascido das cinzas.
Tetro foi para mim um alumbramento, e de cara tornou-se meu Coppola favorito.
Obra lascinante!

O paraíso segundo Borges


Por Gabriel Caprav

Suburbano Coração


"She was worth a stare. She was trouble.
She was tall and rangy and strong-looking. She had a good mouth and a good chin. There was a sulky droop to her lips and the lower lip was full. She had a drink. She took a swallow from it and gave me a cool level stare over the rim of the glass."
Raymond Chandler, The Big Sleep

domingo, 9 de janeiro de 2011

Mark Zuckerberg = Charles Foster Kane ?


A comparação só é válida para os dois personagens; nada a ver comparar os filmes. O de Fincher é bom e digno; Já o de Welles, bem é Welles ou seu brilhante começo. E para Mark, fica faltando seu trenó (Rosebud)...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Luz e Sombras em Streit



Jindrich Streit, fotógrafo tcheco (1965-2005).
O cotidiano assolado por restrições múltiplas em situações de uma intimidade peculiar.

Os fluxos do amor em Faces


Revisão do maravilhoso FACES. Está entre meus favoritos, junto com Uma Mulher sob Influência, Amantes e Opening Night. Abaixo trecho do livro "John Cassavetes" de Thierry Jousse.
"O objeto do cinema de Cassavetes é o fluxo, ou melhor, os fluxos que rodeiam o ser; aquilo que flutua em torno e excede o eu; o ritmo que circula, inatingível, entre as coisas, entre os seres. Fluxo de amor, bem entendido (Love Streams ["As Amantes"]), mas também fluxo lingüístico ou fluxos sob o efeito do álcool. Este último é intimamente ligado ao corpo; atravessa-o com feixes de energia, provoca vibrações de alto a baixo, mas só escapa raramente, permanecendo fixo no corpo.""O álcool está no centro do cinema de Cassavetes. Não apenas porque o próprio Cassavetes bebia (provavelmente até morrer), mas sobretudo porque ele foi um dos raros cineastas que souberam apreender por dentro os efeitos do álcool e fazer do fluxo da bebedeira motor do cinema.""O álcool é um clima, um estado, uma sensibilidade, uma percepção, intimamente ligado a alguns lugares privilegiados. Cafés, bares, pubs, boates povoam os filmes de Cassavetes. Nesses espaços cheios, o calor, a decoração e a luz participam integralmente da embriaguez. Tudo se passa como se o bar se unisse à embriaguez, com sua fumaça, seus halos, suas linhas imprecisas, suas conversas entrecortadas, seus pedações de palavras que apanhamos no ar, seus freqüentadores que se entrechocam e se tocam, seus nevoeiros de espaço-tempo, sua percepção oscilante."
"Cassavetes não tem um olhar moralizador em relação ao álcool. A embriaguez nunca é apontada como doença, mas sim como força de liberação, com múltiplos efeitos. Deprimente ou excitante, paranóica ou afetiva, a embriaguez tem sempre dois pólos, negativo e positivo. Em Faces, o álcool desenvolve a paranóia, aumenta a agressividade e sublinha a decadência catastrófica de cada momento...""O álcool é como uma compensação ao vazio existencial que a invade, a única maneira de fugir ao tormento do ser.""Talvez mais profundo que o fluxo do álcool, o fluxo do amor - força impessoal, invisível, quase mediúnica - ultrapassa os limites do corpo."

sábado, 1 de janeiro de 2011

A América cada vez mais pobre


"Em cinco palavras, um pequeno vôo sobre a obra deste cineasta talentoso e subestimado...

PROFUSÃO
de personagens, de coadjuvantes, figurantes. Profusão de gags, de "acidentes". Como se o western (e ele realizou o sublime Wild Rovers) fizesse visita ao desenho animado.
Mas quando se trata de influências, não estou completamente de acordo ... Blake Edwards rende homenagem não apenas aos cartoons, mas ao cinema como um todo.


PROFISSIONALISMO
Se ele privilegia os longos planos para arquiteturas complexas mais funcionais, os ordena através de uma multidão de personagens, onde os protagonistas, se afogam, os quais reinvidicam a "vedete" que salta para escapar do dilúvio, não eliminando qualquer recurso de cinema: Campo / contra-campo, câmera lenta, montagem sincopada, pausas onde Peter Sellers encontra seu sustento, o personagem de palhaço lunático, um pouco à la Buster Keaton, elipse final, se destacando na direção de Lubitsch. (Veja no final da hilariante cena do restaurante em Victor ou Victoria).


PAIXÃO
É claro que Edwards é um cinéfilo inveterado. E o cinema é a parte mais importante de sua vida. Além de Keaton e Lubitsch, já citados, costuma fazer outras homenagens a Ford, Cukor, Hawks ... Homenagens entusiastas, ferventes.


PERTINÊNCIA
Nunca o julgamento moral. Nem sobre as situações. Nem sobre os personagens. Nem sobre os eventos. Uma dialética explosiva gera uma amoralidade absoluta e agradável. E quando a caricatura aparece, nos curtos instantes, em todas as classes, nunca foi mais do que uma homenagem ao palhaço.


DELÍRIO
Obviamente aqui não está um cineasta da medida (com exceção ao notável e esmagador Vício Maldito). As vitrines não são apenas para serem quebradas, os muros derrubados, os personagens bombardeados. Cada gag é levada ao extremo, talvez de modo exaustivo...

Mais elegante do que Stanley Donen...
Mais direto e virulento do que Howard Hawks...
Mais eficaz do que Richard Quine...
Mais sutil do que George Cukor..."

Alguns Trechos do texto "Le génie américain : Blake Edwards" de Paul Vecchiali.