sábado, 5 de dezembro de 2009

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O que há de melhor no cinema

Pierrot le fou (Jean-Luc Godard)
The Big Sleep (Howard Hawks)
Pickpocket (Robert Bresson)
The Band Wagon (Vincente Minnelli)
A Woman Under the Influence (John Cassavetes)

domingo, 22 de novembro de 2009

Episódio ímpar


Um dia, Tarkovski visita Itália e assiste ao filme "Amarcord" de Fellini, que o cineasta russo adorou. Sabendo da presença de Tarkovski em Roma, Federico Fellini convidou-o para um jantar.

Fellini - "Vi seu filme "Solaris", Andrei. Claro que não o vi todo porque o filme é muito comprido, mas o que vi deu para perceber que és um gênio!"

Tarkovski - "Um filme comprido? Você também tem muitos filmes longos e eu os vi até ao fim!"

Fellini - "Não fique zangado, Andrei, sei que somos gênios. Aliás, quase tudo o que vem da Rússia é de gênio. Agora, como consegues filmar seus filmes? Não se pode fazer um filme sobre qualquer tema no teu país! Eu nunca poderia fazer um filme no teu país porque todos os que faço são sobre prostitutas."

Tarkovski - "E porque você deixou de usar atores profissionais?"

Fellini - "São caros. E quando assinam contratos já trazem cláusulas até para o número de planos a fazer. Não estou para isso, por isso uso atores amadores. Sabes que agora é difícil fazer filmes, não há dinheiro. Os produtores perdem dinheiro com os meus filmes. É um trabalho duro ser realizador, caro amigo, mas você e eu, claro, somos gênios!"
(Relatado pela atriz russa, Natalia Bondarchuk)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

sábado, 17 de outubro de 2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

when you dance, I can really love

Elegia


Ganhei (perdi) meu dia.
E baixa a coisa fria
também chamada noite, e o frio ao frio
em bruma se entrelaça, num suspiro.

E me pergunto e me respiro
na fuga deste dia que era mil
para mim que esperava
os grandes sóis violentos, me sentia
tão rico deste dia
e lá se foi secreto, ao serro frio.

Perdi minha alma à flor do dia ou já perdera
bem antes sua vaga pedraria?
Mas quando me perdi, se estou perdido
antes de haver nascido
e me nasci votado à perda
de frutos que não tenho nem colhia?

Gastei meu dia. Nele me perdi.
De tantas perdas uma clara via
por certo se abriria
de mim a mim, estela fria.
As árvores lá fora se meditam.
O inverno é quente em mim, que o estou berçando,
e em mim vai derretendo
este torrão de sal que está chorando.

Ah, chega de lamento e versos ditos
ao ouvido de alguém sem rosto e sem justiça,
ao ouvido do muro,
ao liso ouvido gotejante
de uma piscina que não sabe o tempo, e fia
seu tapete de água, distraída.

E vou me recolher
ao cofre de fantasmas, que a notícia
de perdidos lá não chegue nem açule
os olhos policiais do amor-vigia.
Não me procurem que me perdi eu mesmo
como os homens se matam, e as enguias
à loca se recolhem, na água fria.

Dia,
espelho de projeto não vivido,
e contudo viver era tão flamas
na promessa dos deuses; e é tão ríspido
em meio aos oratórios já vazios
em que a alma barroca tenta confortar-se
mas só vislumbra o frio noutro frio.

Meu Deus, essência estranha
ao vaso que me sinto, ou forma vã,
pois que, eu essência, não habito
vossa arquitetura imerecida;
meu Deus e meu conflito,
nem vos dou conta de mim nem desafio
as garras inefáveis: eis que assisto
a meu desmonte palmo a palmo e não me aflijo
de me tornar planície em que já pisam
servos e bois e militares em serviço
da sombra, e uma criança
que o tempo novo me anuncia e nega.

Terra a que me inclino sob o frio
de minha testa que se alonga,
e sinto mais presente quanto aspiro
em ti o fumo antigo dos parentes,
minha terra, me tens; e teu cativo
passeias brandamente
como ao que vai morrer se estende a vista
de espaços luminosos, intocáveis:
em mim o que resiste são teus poros.
Corto o frio da folha. Sou teu frio.

E sou meu próprio frio que me fecho
longe do amor desabitado e líquido,
amor em que me amaram, me feriram
sete vezes por dia, em sete dias
de sete vidas de ouro,
amor, fonte de eterno frio,
minha pena deserta, ao fim de março,
amor, quem contaria?
E já não sei se é jogo, ou se poesia.

Na minha opinião, o maior poema já escrito, em todos os tempos. Se Drummond fosse inglês, ele teria o merecido reconhecimento . Por ser um gauche-tupiniquim, fica na penumbra da crítica literária.

Inescapável


"Para mim, o único cineasta incontornável, do qual ninguém poderá jamais escapar é Godard. Godard é o grande cineasta do fim do século 20, mas é também o maior artista vivo, consideradas todas as artes. Godard oferece cinema de conhecimento, extraordinariamente aberto. Não estou dizendo que seja alguma espécie de Bíblia, mas é indispensável mergulhar no sistema de Godard, também para, se for o caso, sair dele. Godard abre tantas possibilidades – porque pesquisa e propõe perguntas –, que dali se pode partir para praticamente qualquer coisa. É o autor das mais belas e ricas imagens que o cinema jamais ofereceu, não só ao cinema mas às artes plásticas.

Aprender a digerir Godard é processo lento. Godard está 25 anos à nossa frente. É preciso paciência. No início, o público fugia dos filmes de Rossellini, sobretudo durante a fase com Ingrid Bergman. Hoje há Hou Hsiao-hsien, Kiarostami, Coppola, De Palma, até Cronenberg; também, na França, há revelações, mas ainda não há grandes confirmações. Desplechin, por exemplo." (Jean Douchet)

Anno Zero


Não, como em Rossellini, a aproximação tateante da criatura rumo a um criador, tema exterior à mise en scène, mas o homem tornado deus na mise en scène, pela revelação de seus poderes, brecha aberta bruscamente na superfície das coisas e nos arrebatando. (Bruno Andrade, do blog O Signo do Dragão)

domingo, 27 de setembro de 2009

Muito Loki, bicho


Uma semana após ter assistido o documentário Loki, aliás "bem comportado demais", resolvi procurar algo do Arnaldo no youtube e achei esta preciosidade. Sobre o documentário, vale pelo registro iconográfico feito e pelos depoimentos. Cê tá pensando que eu sou loki, bicho?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Defeito gerente


Do site: BizRevolution

Northrop Frye


Explica Frye que uma das funções do crítico literário é ser um gramático das imagens, interpretando os sistemas simbólicos da religião e da filosofia em termos de uma linguagem poética. Um grande crítico, por sua erudição, não só tem de saber desvendar e admirar-se com as imagens construídas por grandes criadores, como também deve ter a capacidade de criar outras tantas belas imagens.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Escravos duma paixão sem guia


"É preciso ter visto Humphrey Bogart e Lauren Bacall - esse casal principesco -dirigidos por Hawks e vivendo um drama cujas articulações são traçadas com que com a ponta dum pincel japonês, para sentir o que é a verdadeira distinção" (H. Agel)

domingo, 30 de agosto de 2009

Moanin'

O que se aprende sozinho


Com cem anos de escória uma lata aprende a rezar.
Com cem anos de escombros um sapo vira árvore e cresce por cima das pedras até dar leite.
Insetos levam mais de cem anos para uma folha sê-los.
Uma pedra de arroio leva mais de cem anos para ter murmúrios.
Em seixal de cor seca estrelas pousam despidas.
Mariposas que pousam em osso de porco preferem melhor as cores tortas.
Com menos de três meses mosquitos completam a sua eternidade.
Um ente enfermo de árvore, com menos de cem anos, perde o contorno das folhas.
Aranha com olho de estame no lodo se despedra.
Quando chove nos braços da formiga o horizonte diminui.
Os cardos que vivem nos pedrouços têm a mesma sintaxe que os escorpiões de areia.
A jia, quando chove, tinge de azul o seu coaxo.
Lagartos empernam as pedras de preferência no inverno.
O vôo do jaburu é mais encorpado do que o vôo das horas.
Besouro só entra em amavios se encontra a fêmea dele vagando por escórias...
A quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso.
Caracóis não aplicam saliva em vidros; mas, nos brejos, se embutem até o latejo.
Nas brisas vem sempre um silêncio de garças.
Mais alto que o escuro é o rumor dos peixes.
Uma árvore bem gorjeada, com poucos segundos, passa a fazer parte dos pássaros que a gorjeiam.
Quando a rã de cor palha está para ter — ela espicha os olhinhos para Deus.
De cada vinte calangos, enlanguescidos por estrelas, quinze perdem o rumo das grotas.
Todas estas informações têm soberba desimportância científica — como andar de costas.

A crítica e sua verdade



...“a crítica não é uma ‘homenagem’ à verdade do passado, ou a verdade do ‘outro’, ela é uma construção da inteligência de nosso tempo”. (R. Barthes)

Only Clarice


Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.

Aos 25 anos aprendi esta verdade absoluta


Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

domingo, 16 de agosto de 2009

Como vão as coisas Charles?


"Não! Poucos homens são dotados da faculdade de ver; há ainda menos homens que possuem a capacidade de exprimir. Agora, à hora em que os outros estão dormindo, ele está curvado sobre sua mesa, lançando sobre uma folha de papel o mesmo olhar que há pouco dirigia às coisas, lutando com seu lápis, sua pena, seu pincel, lançando água do copo até o teto, limpando a pena na camisa, apressado, violento, ativo, como se temesse que as imagens lhe escapassem, belicoso, mas sozinho e debatendo-se consigo mesmo. E as coisas renascem no papel, naturais e, mais do que naturais, belas; mais do que belas, singulares e dotadas de uma vida entusiasta como a alma do autor."

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Pieter de Hooch



"Na casa de Pieter de Hooch, como na de Terborgh ou na de Vermeer, tudo vive e fala; percebe-se que a chaleira está quente, que a cadeira acaba de ser usada e a tapeçaria de ser pisada, que o cão de lareira aguarda os pés que irão apoiar-se nele, que todas essas coisas tão asseadas estão porém um pouco gastas, que a sombra errante se impregna do calor da mão."
(Elie Faure, in A Arte Moderna)

domingo, 9 de agosto de 2009

Sem essa aranha


“O leito obriga-nos a tomar seu costume, ajeitando-nos nele, numa sucessão de posições. A rede toma o nosso feitio, contamina-se com os nossos hábitos, repete dócil e macia, a forma de nosso corpo. A cama é hirta, parada, definitiva. A rede é acolhedora, compreensiva, coleante, acompanhando tépida e brandamente, todos os caprichos de nossa fadiga.. Desloca-se incessantemente renovada, à solicitação física do cansaço. Entre ela e a cama há a distância da solidariedade à resignação”.
Do livro, Rede-de-dormir: uma pesquisa etnográfica. Câmara Cascudo aborda as diferenças entre a rede-de-dormir e a cama, na relação com o corpo.

Propaganda Castrista?


À Coppola e Scorsese, meu mais sincero obrigado!

Ir entre o que vive



O cão sem plumas


I. Paisagem do Capibaribe

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão,
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos polvos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Abre-se em flores
pobres e negras
como negros.
Abre-se numa flora
suja e mais mendiga
como são os mendigos negros.
Abre-se em mangues
de folhas duras e crespos
como um negro.

Liso como o ventre
de uma cadela fecunda,
o rio cresce
sem nunca explodir.
Tem, o rio,
um parto fluente e invertebrado
como o de uma cadela.

E jamais o vi ferver
(como ferve
o pão que fermenta).
Em silêncio,
o rio carrega sua fecundidade pobre,
grávido de terra negra.

Em silêncio se dá:
em capas de terra negra,
em botinas ou luvas de terra negra
para o pé ou a mão
que mergulha.

Como às vezes
passa com os cães,
parecia o rio estagnar-se.
Suas águas fluíam então
mais densas e mornas;
fluíam com as ondas
densas e mornas
de uma cobra.

Ele tinha algo, então,
da estagnação de um louco.
Algo da estagnação
do hospital, da penitenciária, dos asilos,
da vida suja e abafada
(de roupa suja e abafada)
por onde se veio arrastando.

Algo da estagnação
dos palácios cariados,
comidos
de mofo e erva-de-passarinho.
Algo da estagnação
das árvores obesas
pingando os mil açúcares
das salas de jantar pernambucanas,
por onde se veio arrastando.

(É nelas,
mas de costas para o rio,
que "as grandes famílias espirituais" da cidade
chocam os ovos gordos
de sua prosa.
Na paz redonda das cozinhas,
ei-las a revolver viciosamente
seus caldeirões
de preguiça viscosa).

Seria a água daquele rio
fruta de alguma árvore?
Por que parecia aquela
uma água madura?
Por que sobre ela, sempre,
como que iam pousar moscas?

Aquele rio
saltou alegre em alguma parte?
Foi canção ou fonte
Em alguma parte?
Por que então seus olhos
vinham pintados de azul
nos mapas?


II. Paisagem do Capibaribe

Entre a paisagem
o rio fluía
como uma espada de líquido espesso.
Como um cão
humilde e espesso.

Entre a paisagem
(fluía)
de homens plantados na lama;
de casas de lama
plantadas em ilhas
coaguladas na lama;
paisagem de anfíbios
de lama e lama.

Como o rio
aqueles homens
são como cães sem plumas
(um cão sem plumas
é mais
que um cão saqueado;
é mais
que um cão assassinado.

Um cão sem plumas
é quando uma árvore sem voz.
É quando de um pássaro
suas raízes no ar.
É quando a alguma coisa
roem tão fundo
até o que não tem).

O rio sabia
daqueles homens sem plumas.
Sabia
de suas barbas expostas,
de seu doloroso cabelo
de camarão e estopa.

Ele sabia também
dos grandes galpões da beira dos cais
(onde tudo
é uma imensa porta
sem portas)
escancarados
aos horizontes que cheiram a gasolina.

E sabia
da magra cidade de rolha,
onde homens ossudos,
onde pontes, sobrados ossudos
(vão todos
vestidos de brim)
secam
até sua mais funda caliça.

Mas ele conhecia melhor
os homens sem pluma.
Estes
secam
ainda mais além
de sua caliça extrema;
ainda mais além
de sua palha;
mais além
da palha de seu chapéu;
mais além
até
da camisa que não têm;
muito mais além do nome
mesmo escrito na folha
do papel mais seco.

Porque é na água do rio
que eles se perdem
(lentamente
e sem dente).
Ali se perdem
(como uma agulha não se perde).
Ali se perdem
(como um relógio não se quebra).

Ali se perdem
como um espelho não se quebra.
Ali se perdem
como se perde a água derramada:
sem o dente seco
com que de repente
num homem se rompe
o fio de homem.

Na água do rio,
lentamente,
se vão perdendo
em lama; numa lama
que pouco a pouco
também não pode falar:
que pouco a pouco
ganha os gestos defuntos
da lama;
o sangue de goma,
o olho paralítico
da lama.

Na paisagem do rio
difícil é saber
onde começa o rio;
onde a lama
começa do rio;
onde a terra
começa da lama;
onde o homem,
onde a pele
começa da lama;
onde começa o homem
naquele homem.

Difícil é saber
se aquele homem
já não está
mais aquém do homem;
mais aquém do homem
ao menos capaz de roer
os ossos do ofício;
capaz de sangrar
na praça;
capaz de gritar
se a moenda lhe mastiga o braço;
capaz
de ter a vida mastigada
e não apenas
dissolvida
(naquela água macia
que amolece seus ossos
como amoleceu as pedras).


III. Fábula do Capibaribe

A cidade é fecundada
por aquela espada
que se derrama,
por aquela
úmida gengiva de espada.

No extremo do rio
o mar se estendia,
como camisa ou lençol,
sobre seus esqueletos
de areia lavada.

(Como o rio era um cachorro,
o mar podia ser uma bandeira
azul e branca
desdobrada
no extremo do curso
— ou do mastro — do rio.

Uma bandeira
que tivesse dentes:
que o mar está sempre
com seus dentes e seu sabão
roendo suas praias.

Uma bandeira
que tivesse dentes:
como um poeta puro
polindo esqueletos,
como um roedor puro,
um polícia puro
elaborando esqueletos,
o mar,
com afã,
está sempre outra vez lavando
seu puro esqueleto de areia.

O mar e seu incenso,
o mar e seus ácidos,
o mar e a boca de seus ácidos,
o mar e seu estômago
que come e se come,
o mar e sua carne
vidrada, de estátua,
seu silêncio, alcançado
à custa de sempre dizer
a mesma coisa,
o mar e seu tão puro
professor de geometria).

O rio teme aquele mar
como um cachorro
teme uma porta entretanto aberta,
como um mendigo,
a igreja aparentemente aberta.

Primeiro,
o mar devolve o rio.
Fecha o mar ao rio
seus brancos lençóis.
O mar se fecha
a tudo o que no rio
são flores de terra,
imagem de cão ou mendigo.

Depois,
o mar invade o rio.
Quer
o mar
destruir no rio
suas flores de terra inchada,
tudo o que nessa terra
pode crescer e explodir,
como uma ilha,
uma fruta.

Mas antes de ir ao mar
o rio se detém
em mangues de água parada.
Junta-se o rio
a outros rios
numa laguna, em pântanos
onde, fria, a vida ferve.

Junta-se o rio
a outros rios.
Juntos,
todos os rios
preparam sua luta
de água parada,
sua luta
de fruta parada.

(Como o rio era um cachorro,
como o mar era uma bandeira,
aqueles mangues
são uma enorme fruta:

A mesma máquina
paciente e útil
de uma fruta;
a mesma força
invencível e anônima
de uma fruta
— trabalhando ainda seu açúcar
depois de cortada —.

Como gota a gota
até o açúcar,
gota a gota
até as coroas de terra;
como gota a gota
até uma nova planta,
gota a gota
até as ilhas súbitas
aflorando alegres).


IV. Discurso do Capibaribe

Aquele rio
está na memória
como um cão vivo
dentro de uma sala.
Como um cão vivo
dentro de um bolso.
Como um cão vivo
debaixo dos lençóis,
debaixo da camisa,
da pele.

Um cão, porque vive,
é agudo.
O que vive
não entorpece.
O que vive fere.
O homem,
porque vive,
choca com o que vive.
Viver
é ir entre o que vive.

O que vive
incomoda de vida
o silêncio, o sono, o corpo
que sonhou cortar-se
roupas de nuvens.
O que vive choca,
tem dentes, arestas, é espesso.
O que vive é espesso
como um cão, um homem,
como aquele rio.

Como todo o real
é espesso.
Aquele rio
é espesso e real.
Como uma maçã
é espessa.
Como um cachorro
é mais espesso do que uma maçã.
Como é mais espesso
o sangue do cachorro
do que o próprio cachorro.
Como é mais espesso
um homem
do que o sangue de um cachorro.
Como é muito mais espesso
o sangue de um homem
do que o sonho de um homem.

Espesso
como uma maçã é espessa.
Como uma maçã
é muito mais espessa
se um homem a come
do que se um homem a vê.
Como é ainda mais espessa
se a fome a come.
Como é ainda muito mais espessa
se não a pode comer
a fome que a vê.

Aquele rio
é espesso
como o real mais espesso.
Espesso
por sua paisagem espessa,
onde a fome
estende seus batalhões de secretas
e íntimas formigas.

E espesso
por sua fábula espessa;
pelo fluir
de suas geléias de terra;
ao parir
suas ilhas negras de terra.

Porque é muito mais espessa
a vida que se desdobra
em mais vida,
como uma fruta
é mais espessa
que sua flor;
como a árvore
é mais espessa
que sua semente;
como a flor
é mais espessa
que sua árvore,
etc. etc.

Espesso,
porque é mais espessa
a vida que se luta
cada dia,
o dia que se adquire
cada dia
(como uma ave
que vai cada segundo
conquistando seu vôo).
João Cabral de Melo Neto

O terremoto clandestino


Como descrito no livro de Jairo Ferreira, Cinema de Invenção:
"O alucinante painel de um país que não estava no mapa...
Filme/sismo de vibração muito acima da curva acústica da época..."
Trechos que nem este já valem por toda uma cinematografia!

Seul le cinema


Mon beau souci!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Nuances de gestos


Que precisão, que Mise-en-scene a do Michael Mann.
Na trilha sonora, Groove Armada e Richie Havens (folksinger), numa canção estilo da Mottown. Grande filme desta década, sem dúvidas!

Kashmir

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ser no tempo


Como respondeu certa vez Edmund Hurssel à tão singela pergunta:
Como você está?
Resposta: Estou bem, com uma certa dificuldade em ser.
Hurssel teve como seu discípulo, aliás, o próprio Heidegger.

Waldez Ludwig van ...?

Quando as vendas estão caindo

E por falar em lúdico, ...


O ás mascarado. Este é outro clássico adulto/infantil.

domingo, 26 de julho de 2009

sábado, 25 de julho de 2009

Já em setembro...


E quando o médico se tornar o paciente, o que acontecerá?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Um homem+Uma mulher = Samba


Homenagem do Lelouch ao nosso samba

Lições de Vida


O balde simboliza o nosso dia com 24 horas, as pedras pequenas as nossas tarefas que se acumulam e as pedras grandes tudo aquilo que realmente importa nas nossas vidas.
Stephen Covey é um dos maiores gurus sobre liderança.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

E então?


02 de Abril de 1959, The Miles Davis Quintet na CBS, studio 61, in New York.

Saravá!


Abençoado seja...

Let's go home Debbie

O Novo Sette


O novo filme do amigo José Sette. Cinema de invenção, cine-poesia. Sette foi fundamental nas lições técnicas sobre meu filme/projeto Folhas Soltas. Sobre este, em breve postaremos algo.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A vida sonhada dos anjos


Vídeo bastante premiado mostrando como nosso mundo atual está dominado pelas grandes marcas.

sábado, 18 de julho de 2009

Semler e Mintzberg


Managers not MBA. Os dois gurus conversam no auditório do MIT.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ciclo da Inovação


Gestão de Inovação, uma tendência de um futuro cada vez mais próximo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Abençoado seja o Rock and Roll







Não gosto do Alice Cooper
Onde é que está meu rock'n'Roll?
Chamo a atenção para as peformances de palco do Lou Reed, do Jagger, Hendrix e Pete Townshed (deste, reparem na vitalidade do salto para trás aos 2 minutos e 37 segundos). Será que eu vou virar bolor?

domingo, 12 de julho de 2009

A imagem virá no tempo da ressurreição


Um dos melhores filmes desta década!
Profissão de fé, revelação, luz, mistério. Enfim, Abel Ferrara.

The Birds


"Please, forgive me for my poor english".

Hannah and her sisters


nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto


teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa


ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;


nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua intensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira


(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.

El Tres de Mayo


Um dos quadros que mais gosto. A composição insólita, com a vítima central de braços erguidos na pose simbólica de um Cristo crucificado (detalhe na palma da mão direita) é de uma expressão ímpar. Segundo críticos, pela primeira vez a guerra é descrita como fútil, sem heróis, constituída somente por assassinos e mortos.

There is no finish line


Transcrição dos diálogos até 4 minutos e 11 segundos.

Reporter: And we thought last year final couldn´t be touched. And it was.

Becker: Isn´t it something! You know, it set all over again. last year final was the best Wimbledon final I witnessed but this year it came close, another five setter, another 4 hours and something and In the end, it didn´t seem to be finished!

Reporter: What did you make of it, Greg?

Rusedsky: Ah..., It was fantastic tennis, I thought Roddick really played sensational tennis. He´ll be just regretting that he didn´t win Wimbledon but, Roger Federer is the man, he always find a way. And you´ve got to look at history. It is the longest fifth set ever. Oh, look at the man himself here. Hello.

Reporter: As we stick the microphone in his T-shirt
Becker: How is your leg? How are you feeling?

Roger: All right. Felt better but felt worse...No, I feel great.

Reporter: Listen. You don´t only have to play for us, you have to talk for us,tennis as well. Yeah, we´ve been waiting.

Reporter: You must... Now, you have time to analyze it. How do you view the events of the afternoon?

Roger: Ah..., unique, you know. Because, I´ll never go through something like this again in my career, you know. Where such a big, so many records are on the line, and so many legends are watching me play, and so much is at stake at Wimbledon. You know, where sort of come off full circles for me, you know. I won here 2003 and here I am breaking the record in 2009. It´s wonderful, you know. And I'm happy I was able to do it.

Reporter: It was wonderful to watch, honestly. And, did you know that Pete Sampras was definitely be here, or the first you knew was when you saw him in the royal box?

Roger: No, I heard the day before that he was gonna come for sure but he promised me when we did the Asian Tour together and when we played the Madison Square Garden he said: “Look, every year you have a chance to break my record, I´ll be there”. So... He said, make sure it´s maybe not Australia, or something. So, he obviously hoped for US Open, but I always knew he would show up because I knew he would keep his promise.

Reporter: A couple of sort of big generic questions I´ll ask you but specifically on the match, that backhand volley Andy Roddick missed in the 2nd set tie-break, he had 4 set points, at that point, had you almost resigned yourself thinking “I´m gonna win this in five”?

Roger: Yeah, I mean, that was... that is the way the mind works. I think once you are out there , it is like , you know, if you feel like he is unbreakable, you can´t really get a read on his serve, you are playing ok but, you are not controlling things... You are ready to go five. It´s just the way you have to plan, that´s why I have thousands of shirts in my bag. Anything … You know, wrist bands, head bands. Just in case. I am ready for 5 rainy days, or 10, if I have to … You know, it´s not a problem. But, I knew the 2nd set was a key, you know, looking back that and then also obviously the 8-all 15-40 play. Those were the big moments over the match and both times, I came through so it was important.

Reporter: But, once you won the second set, did you think you got him?

Roger: Humm. I thought I got him when I won the third set. I was up two sets to one. I thought this would be really hard for him to come back, from these though 2 sets he just lost and on top of that I felt I was gonna get into his service games more often. And I didn´t, I was wrong but..., ah..., I got through in the end.

Becker: What keeps you going now. You broke all the record in the world. What´s the next top for you? You´re gonna take a couple of weeks off in the summer, I guess and then celebrate to put up the first child and then, what´s coming after?

Roger: I can´t answer this, I guess... ha... afterwards, really, I mean that´s what I told people, when I won Paris, because I say, I have one more to win because I won all the majors, you tie Pete´s record, and now I broke it. So, even people wonder why am I keep on playing, maybe you know, but I think I love this sport, maybe I´ll sound different in few years time, who knows? But, right now I just enjoy, not “having the attention” really but just having so much success, feeling the warmth from all the crowds around the world, it´s amazing, you know, to go to where I am. Yeah, I don´t know, I mean, I have to definitely regroup after this.
That´s for sure.

Onde há pouco falávamos


“Durante estes anos muita gente veio ver-nos. Alguns para tirar fotografias, outros com um ponto de vista literário, para ver uma espécie de gente diferente. Muitos fizeram filmes. Até hoje, todos nos traíram. Nenhum transmitiu o que nós queríamos e aquilo que tinham prometido mostrar ao mundo. E isso feria-nos porque uns queriam mostrar a compaixão e outros queriam mostrar a repulsa, mas nós não queremos nem que nos detestem nem que tenham pena de nós. Nós precisamos apenas de amor. Amor enquanto pessoas que sofreram um infortúnio e não enquanto fenómenos.” (Testemunho de um ex-habitante da ilha grega Spinalonga).
Pollet, cineasta olvidado pelos críticos, fez parte da nouvelle vague francesa.

Filme balada


Cambalhota vanguardista esta cena do Pierrot.
É, Talvez eu sonhe acordado...

Maravilhoso nanquim, grafite e crayon







Pelo amigo Nelson Bravo, conheci as caricaturistas e ilustrações deste argentino que se radicou no Rio de Janeiro desde a década de 70. É o autor da famosa capa do Livro A Rosa do Povo, do poeta itabirano. Je vous salue Trimano!

sábado, 11 de julho de 2009

Competências gerenciais

BSC e os indicadores de performance

Di, quem?


"Ninguém assistirá ao formidável enterro de tua última quimera, somente a ingratidão, aquela pantera, foi a sua companheira inseparável"

A gravidade e a graça

A sagração da primavera


Igor Stravinsky + Pina Bausch = Queixo caído. Coreografado pelo grupo Wuppertal Dance Theater, companhia criada por Pina em 1973.

Ah, se a vida fosse assim...


boy, if life were only like this...

A máquina do mundo

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A love supreme


Miles sobre Coltrane:
“Trane era o saxofonista mais ruidoso e mais rápido que eu já ouvi. Tocava rápido e alto, ao mesmo tempo, o que é difícil de fazer. Porque quando a maioria dos músicos toca alto, se trava. Já vi muitos saxofonistas se enrolarem tentando tocar assim. Mas Trane fazia isso e era fenomenal. Era como se estivesse possuído, quando levava aquele instrumento à boca. Era muito apaixonado – feroz – e ao mesmo tempo muito tranqüilo e delicado quando não estava tocando. Um cara puro.”

Beleza Pura


Agora que morremos, a vida pode enfim recomeçar.
Agora que a vida parou, podemos falar uns dos outros sem o espectro da ofensa.
Agora basta olhar como nos era dado muito pouco, muito menos do que suspeitamos.
Para viver tínhamos que esquecer prazos e limites.
Desleixados, não sorvíamos a vida a plenos pulmões.
Distraímo-nos e adiamos a eternidade em troca do urgente.

De rara beleza



On Our Way Home


Do documentário Let it Be. Genial!

Que sinceridade!

Agora em números


Com a conquista de Wimbledon, Federer supera Sampras em número de Grand Slam e se torna o maior vencedor da história. O que antes era intuição, opnião, agora é uma realidade. Simply the best!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Conde


O homem mais sensível, mais domesticado pela vida, sonha, em certos momentos, tornar-se indomável. Respeita, admira e ama a força que lhe lança um desafio...

Sob minha axila esquerda, uma família de sapos estabeleceu residência, e quando um deles se mexe provoca-me cócegas.

Beast of Burden



It's living in my blood and skin (since 2004)

Make 'em laugh


Mise-èn-scene é isso aí.

Köln concert


Este é o trecho que mais me encanta em toda obra do Jarrett.

Modernismo, memória e desejo

Fragmentos anatômicos



Abril é o mais cruel dos meses, germina
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera.
O inverno nos agasalhava, envolvendo
A terra em neve deslembrada, nutrindo
Com secos tubérculos o que ainda restava de vida.
O verão nos surpreendeu, caindo do Starnbergersee
Com um aguaceiro. Paramos junto aos pórticos
E ao sol caminhamos pelas aléias do Hofgarten,
Tomamos café, e por uma hora conversamos.
Bin gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.
Quando éramos crianças, na casa do arquiduque,
Meu primo, ele convidou-me a passear de trenó.
E eu tive medo. Disse-me ele, Maria,
Maria, agarra-te firme. E encosta abaixo deslizamos.
Nas montanhas, lá, onde livre te sentes.
Leio muito à noite, e viajo para o sul durante o inverno.

Que raízes são essas que se arraigam, que ramos se esgalham
Nessa imundície pedregosa? Filho do homem
Não podes dizer, ou sequer estimas, porque apenas conheces
Um feixe de imagens fraturadas, batidas pelo sol,
E as árvores mortas já não mais te abrigam, nem te consola o
canto dos grilos,
E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca. Apenas
Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.
(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),
E vou mostrar-te algo distinto
De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece
Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;
Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.
T.S. Eliot
The Burial of the Dead - The Waste Land

sábado, 27 de junho de 2009

A didática de um bom exemplo

Glauber, Freud e as vedetes


Época em que a televisão produzia obras, não somente horas de programação como nos últimos 15 anos.

Folhas de outono


Chet Baker - Trompete
Paul Desmond - Sax Alto
Ron Carter - Baixo Acustico
Bob James - Teclado
Steve Gadd - Bateria
Performance da época do album She was too good to me, de 1974.

Aula de cinema


Exploração fantástica do espaço/cenário e revelação da "mola dramática" com a sofisticação de um grão-mestre. A cena desliza da imagem-movimento para a imagem-tempo. O espaço vira espaço qualquer. Único!

Lao-Tse e o intuitivo cósmico


Para conhecer o mundo não é necessário viajar pelo mundo.

Pode-se conhecer o mundo sem nunca ter viajado.

Pode-se conhecer os segredos do mundo sem olhar pela janela.

Quanto mais distante alguém divaga menor é o seu saber.

Portanto o sábio alcança a sabedoria sem erudição;

Alcança a sua meta sem se debater;

Identifica as coisas sem as ver;

Conquista sem intervir.

Assim termina sua jornada sem viajar.

Sinto como ninguém o ritmo do jazz-band


NÃO SEI DANÇAR
UNS TOMAM ÉTER, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria...
Abaixo Amiel!
E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.
Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz band.
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.
Mistura muito excelente de chás...
Esta foi açafata...
- Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex-prefeito municipal:
Tão Brasil!
De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil...
Há até a fração incipiente amarela
Na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
Acugelê banzai!
A filha do usineiro de Campos
Olha com repugnância
Para a crioula imoral,
No entanto o que faz a indecência da outra
É dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros...
Mas ela não sabe...
Tão Brasil!
Ninguém se lembra de política...
Nem dos oito mil quilômetros de costa...
O algodão do Seridó é o melhor do mundo?... Que me importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos.
A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.
Eu tomo alegria!