
“O leito obriga-nos a tomar seu costume, ajeitando-nos nele, numa sucessão de posições. A rede toma o nosso feitio, contamina-se com os nossos hábitos, repete dócil e macia, a forma de nosso corpo. A cama é hirta, parada, definitiva. A rede é acolhedora, compreensiva, coleante, acompanhando tépida e brandamente, todos os caprichos de nossa fadiga.. Desloca-se incessantemente renovada, à solicitação física do cansaço. Entre ela e a cama há a distância da solidariedade à resignação”.
Do livro, Rede-de-dormir: uma pesquisa etnográfica. Câmara Cascudo aborda as diferenças entre a rede-de-dormir e a cama, na relação com o corpo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário