terça-feira, 22 de novembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Queremos mais, Miles

Confesso que fiquei abalado estando próximo dos trumpetes tocados pelo gênio, nas fases do idos 50 e 60 (mais precisamente das fases Porgy and Bess e In a Silent Way). Pena que a exposição no CCBB termine hoje.
Com cerca de trezentos itens, gravações, obras de arte (quadros pintados pelo próprio), fotografias, vídeos, documentários, roupas (usadas nos anos 70), instrumentos musicais (além de 3 de seus trumpetes, instrumentos de percussão utilizados por Airto Moreira), a exposição foi um luxo só. Em se tratando de música, acho que só dá para igualar quando eu for no Abbey Road Studio. Material iconográfico de primeira, com manuscritos e outras milongas mais.
Ressuscitarás!
sábado, 13 de agosto de 2011
Assim estava escrito
"Pergunto-me mesmo se os anos oitenta, cinematograficamente tão ocos, não tiveram como verdadeiro cinema e como heróis sedutores os Borg, Connors, McEnroe e Lendl, os únicos que souberam destilar o tempo e que deram lições de ver a uma geração inteira. Fiquei sempre surpreendido quando amigos meus ficavam surpreendidos com a minha capacidade de escrever sobre o ténis, como se lhes quisesse mal por não compreenderem que se trata absolutamente da mesma coisa que o cinema, ao menos o velho cinema, o da mise en scène, da topografia. Não era preciso empurrarem-me muito para que encontrasse passing-shots em Fritz Lang e inserts em Miroslav Mecir."
Serge Daney, Persévérance
A infância da arte
“O fato de eu assistir a tantos filmes parece de fato assustar as pessoas. Muitos cineastas fingem que nunca vêem nada, e isso sempre pareceu muito estranho para mim. Todo mundo aceita o fato de que escritores lêem livros, escritores vão a exposições e inevitavelmente são influenciados pelo trabalho dos grandes artistas que vieram antes deles, que os músicos ouçam música antiga além das coisas novas... Então por que as pessoas acham estranho que cineastas – ou pessoas que querem tornar-se cineastas – vejam filmes? Quando você vê os filmes de certos diretores, você pensa que a história do cinema começa para eles em torno dos anos 80. Os filmes deles provavelmente seriam muito melhores se eles tivessem visto um pouquinho mais de filmes, o que vai contra aquela idéia estúpida de que você corre o risco de ser influenciado se assistir filmes demais. Na verdade, é quando você vê muito pouco que você corre esse risco. Se você vê muita coisa, você pode escolher os filmes pelos quais você se influencia. Às vezes a escolha não é consciente, mas na vida há coisas que são mais poderosas do que nós, e que nos afetam profundamente. Se eu sou influenciado por Hitchcock, Rossellini ou Renoir sem perceber, melhor pra mim.” Jacques Rivette
domingo, 7 de agosto de 2011
Residência fixa

Uma forma cómoda de travar conhecimento com uma cidade é procurar saber como se trabalha, como se ama e como se morre. Na nossa pequena cidade, talvez por efeito do clima, tudo se faz ao mesmo tempo, com o mesmo ar frenético e distante. Quer dizer que as pessoas se entediam e se dedicam a criar hábitos. Nossos concidadãos trabalham muito, mas apenas para enriquecer. Interessam-se principalmente pelo comércio e ocupam-se, em primeiro lugar, conforme sua própria expressão, em fazer negócios. Naturalmente, apreciam prazeres simples, gostam das mulheres, de cinema e de banhos de mar. Muito sensatamente, porém, reservam os prazeres para os domingos e os sábados à noite, procurando, nos outros dias da semana, ganhar muito dinheiro. À tarde, quando saem dos escritórios, reúnem-se a uma hora fixa nos cafés, passeiam na mesma avenida ou instalam-se nas suas varandas. Os desejos dos mais velhos não vão além das associações de boulomanes, os banquetes das amicales e os ambientes em que se aposta alto no jogo de cartas.
Dirão sem dúvida que nada disso é característico de nossa cidade e que, em suma, todos os nossos contemporâneos são assim. Sem dúvida, nada há de mais natural, hoje em dia, do que ver as pessoas trabalharem de manhã à noite e optarem, em seguida, por perder nas cartas, no café e em tagarelices o tempo que lhes resta para viver. Mas há cidades e países em que as pessoas, de vez em quando, suspeitam que exista mais alguma coisa. Isso, em geral, não lhes modifica a vida. Simplesmente, houve a suspeita, o que já significa algo. Oran, pelo contrário, é uma cidade aparentemente sem suspeitas, quer dizer, uma cidade inteiramente moderna. Não é necessário, portanto, definir a maneira como se ama entre nós. Os homens e as mulheres ou se devoram rapidamente, no que se convencionou chamar ato de amor, ou se entregam a um longo hábito a dois. Isso tampouco é original. Em Oran, como no resto do mundo, por falta de tempo e de reflexão, somos obrigados a amar sem saber. (Camus, em A Peste)
A história do olho
sábado, 6 de agosto de 2011
Memórias de um estrangulador de conceitos

“Espero morrer antes de fazer TV. Vai contra os meus princípios, apesar de não tê-los” (Guará Rodrigues)
Guará viveu em Paris na época da Nouvelle Vague, foi ao cinema em Roma com Maria Schneider, acompanhou Hitchcock nas filmagens de "Frenesi" em Londres – quando foi o protagonista de "Memórias de um Estrangulador de Loiras" (foto), de Júlio Bressane.
Fez nessa época a rota entre Holanda e Índia, com uma câmera e um gravador, colhendo imagens para o que considera o primeiro road-movie brasileiro, "Boom Shankar – louvação que dá o iniciado ao inalar o cone de haxixe aceso".
O mundo hoje realmente tá muito chato!
domingo, 31 de julho de 2011
Me responde por favor
Quando é que o Canal Brasil vai exibir esta jóia rara do Bressane?
Cuidado Madame foi exibido na Itália há poucos anos em uma cópia muito boa por sinal.
terça-feira, 19 de julho de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
típico final de semana
Atualíssimo.
Os homens não melhoraram e matam-se como percevejos.
Os percevejos heróicos renascem.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
terça-feira, 31 de maio de 2011
Significado metonímico

O gestual é uma das facetas mais comunicativas de significado no cinema...
Aqui, Von Sydow em A Hora do Lobo: a mão cobre o rosto, escudo do mundo exterior, os joelhos curvados para cima, quase em posição fetal, protegem o corpo; o ego encolhido num escudo protetor, denota uma situação de vergonha.
O interior áspero, estéril, pouco convidativo ambienta a cena, numa mise-en-scene magnífica. Kinesis = Bergman
terça-feira, 19 de abril de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
O maior humorista brasileiro

"Quando começou a comprar almas, o diabo inventou a sociedade de consumo."
"Hoje em dia, a universidade é o local onde a ignorância é levada `as últimas consequências."
"O ser humano ainda não tinha aprendido a amar o próximo e já inha inventado a televisão que ensina a desprezar o distante."
"A natureza , ao fazer um ser humano competente; por acaso consulta alguma universidade?"
sexta-feira, 15 de abril de 2011
domingo, 3 de abril de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Desajustados Geniais
"Here's to the crazy ones. The misfits. The rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They're not fond of rules, and they have no respect for the status quo. You can quote them, disagree with them, glorify and vilify them. About the only thing you can't do is ignore them because they change things. They push the human race forward. And while some may see them as crazy, we see genius. Because the people who are crazy enough to think they can change the world, are the ones who do."
domingo, 13 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Pangéia Rítmica

Em ciência da computação, Força Bruta (ou busca exaustiva) é uma algoritmo trivial mas de uso muito geral que consiste em enumerar todos os possíveis candidatos de uma solução e verificar se cada um satisfaz o problema.
O sétimo e mais soturno disco de Jorge Ben foi feito em apenas uma noite de 1970 (já dá uma idéia do clima que devia estar rolando). O disco deixa bem claro o entrosamento ímpar e fantástico entre o Trio Mocotó e o Zé Petrinho (a maioria das músicas sequer foram ensaiadas; Jorge cantava uma vez e em seguida com o Trio, gravava no improviso), como se estivesse num filme de Cassavetes.
Samba-rock, Groove, Soul carioca, disco de baladas de singela melancolia, místico, Disco-munal!
Abaixo, uma prova em Charles Jr, um macunaíma negro pintado por Goya numa aventura Dostoievskiana. É a herança da carne, nos ombros do messias.
"Vai vai"
domingo, 16 de janeiro de 2011
Meu Coppola Favorito
Suburbano Coração

"She was worth a stare. She was trouble.
She was tall and rangy and strong-looking. She had a good mouth and a good chin. There was a sulky droop to her lips and the lower lip was full. She had a drink. She took a swallow from it and gave me a cool level stare over the rim of the glass."
Raymond Chandler, The Big Sleep
domingo, 9 de janeiro de 2011
Mark Zuckerberg = Charles Foster Kane ?
A comparação só é válida para os dois personagens; nada a ver comparar os filmes. O de Fincher é bom e digno; Já o de Welles, bem é Welles ou seu brilhante começo. E para Mark, fica faltando seu trenó (Rosebud)...
domingo, 2 de janeiro de 2011
Luz e Sombras em Streit
Os fluxos do amor em Faces
Revisão do maravilhoso FACES. Está entre meus favoritos, junto com Uma Mulher sob Influência, Amantes e Opening Night. Abaixo trecho do livro "John Cassavetes" de Thierry Jousse.
"O objeto do cinema de Cassavetes é o fluxo, ou melhor, os fluxos que rodeiam o ser; aquilo que flutua em torno e excede o eu; o ritmo que circula, inatingível, entre as coisas, entre os seres. Fluxo de amor, bem entendido (Love Streams ["As Amantes"]), mas também fluxo lingüístico ou fluxos sob o efeito do álcool. Este último é intimamente ligado ao corpo; atravessa-o com feixes de energia, provoca vibrações de alto a baixo, mas só escapa raramente, permanecendo fixo no corpo.""O álcool está no centro do cinema de Cassavetes. Não apenas porque o próprio Cassavetes bebia (provavelmente até morrer), mas sobretudo porque ele foi um dos raros cineastas que souberam apreender por dentro os efeitos do álcool e fazer do fluxo da bebedeira motor do cinema.""O álcool é um clima, um estado, uma sensibilidade, uma percepção, intimamente ligado a alguns lugares privilegiados. Cafés, bares, pubs, boates povoam os filmes de Cassavetes. Nesses espaços cheios, o calor, a decoração e a luz participam integralmente da embriaguez. Tudo se passa como se o bar se unisse à embriaguez, com sua fumaça, seus halos, suas linhas imprecisas, suas conversas entrecortadas, seus pedações de palavras que apanhamos no ar, seus freqüentadores que se entrechocam e se tocam, seus nevoeiros de espaço-tempo, sua percepção oscilante."
"Cassavetes não tem um olhar moralizador em relação ao álcool. A embriaguez nunca é apontada como doença, mas sim como força de liberação, com múltiplos efeitos. Deprimente ou excitante, paranóica ou afetiva, a embriaguez tem sempre dois pólos, negativo e positivo. Em Faces, o álcool desenvolve a paranóia, aumenta a agressividade e sublinha a decadência catastrófica de cada momento...""O álcool é como uma compensação ao vazio existencial que a invade, a única maneira de fugir ao tormento do ser.""Talvez mais profundo que o fluxo do álcool, o fluxo do amor - força impessoal, invisível, quase mediúnica - ultrapassa os limites do corpo."
sábado, 1 de janeiro de 2011
A América cada vez mais pobre

"Em cinco palavras, um pequeno vôo sobre a obra deste cineasta talentoso e subestimado...
PROFUSÃO
de personagens, de coadjuvantes, figurantes. Profusão de gags, de "acidentes". Como se o western (e ele realizou o sublime Wild Rovers) fizesse visita ao desenho animado.
Mas quando se trata de influências, não estou completamente de acordo ... Blake Edwards rende homenagem não apenas aos cartoons, mas ao cinema como um todo.
PROFISSIONALISMO
Se ele privilegia os longos planos para arquiteturas complexas mais funcionais, os ordena através de uma multidão de personagens, onde os protagonistas, se afogam, os quais reinvidicam a "vedete" que salta para escapar do dilúvio, não eliminando qualquer recurso de cinema: Campo / contra-campo, câmera lenta, montagem sincopada, pausas onde Peter Sellers encontra seu sustento, o personagem de palhaço lunático, um pouco à la Buster Keaton, elipse final, se destacando na direção de Lubitsch. (Veja no final da hilariante cena do restaurante em Victor ou Victoria).
PAIXÃO
É claro que Edwards é um cinéfilo inveterado. E o cinema é a parte mais importante de sua vida. Além de Keaton e Lubitsch, já citados, costuma fazer outras homenagens a Ford, Cukor, Hawks ... Homenagens entusiastas, ferventes.
PERTINÊNCIA
Nunca o julgamento moral. Nem sobre as situações. Nem sobre os personagens. Nem sobre os eventos. Uma dialética explosiva gera uma amoralidade absoluta e agradável. E quando a caricatura aparece, nos curtos instantes, em todas as classes, nunca foi mais do que uma homenagem ao palhaço.
DELÍRIO
Obviamente aqui não está um cineasta da medida (com exceção ao notável e esmagador Vício Maldito). As vitrines não são apenas para serem quebradas, os muros derrubados, os personagens bombardeados. Cada gag é levada ao extremo, talvez de modo exaustivo...
Mais elegante do que Stanley Donen...
Mais direto e virulento do que Howard Hawks...
Mais eficaz do que Richard Quine...
Mais sutil do que George Cukor..."
Alguns Trechos do texto "Le génie américain : Blake Edwards" de Paul Vecchiali.
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