
Famosa pela sua beleza e notável inteligência, Liolia von Salomé nasceu em São Petersburgo, a 12 de Fevereiro de 1861, filha de Louise Wilm e de Gustav von Salomé, um alemão dos países bálticos, quinze anos mais velho. Descendente de hugenotes de Avignon, ocupava o cargo de conselheiro secreto do soberano, na corte imperial. Pertencendo às altas esferas da nobreza, foi educada no luxo cosmopolita da corte, condição que lhe permitiu desfrutar de uma ampla liberdade, assim como de um ambiente propício ao contacto e à aprendizagem das correntes filosóficas e literárias em voga. Com o seu estatuto de única menina (nasceu quando o pai já tinha 53 anos) foi excessivamente protegida, numa família de cinco rapazes.
Dela disse Nietzsche, um dia, ser “de longe, a pessoa mais brilhante que conheci”. Causou fascínio nos intelectuais mais importantes da sua época, como Nietzsche, Rilke e Sigmund Freud. Foi romancista, poeta, ensaísta, psicanalista e uma pioneira do modernismo europeu.
O espírito crítico de Lou conduziu-a a uma atitude de descrença perante a religião. Recusando o ultra-conservadorismo do pastor Dalton, sedenta de independência e impaciente por viver, foi rejeitando, cada vez mais, a fé em Deus. Com a morte do pai, as esperanças de pacificação com a religião e com Deus desapareceram por completo.
Paul Rée, Nietzsche e Rilke a pediram em casamento. Em Setembro de 1880, Lou partiu para Zurique, onde estudou lógica, história das religiões e metafísica. Ainda que se revelasse sobredotada, a sua saúde era frágil. Defendia ousadamente os direitos das mulheres e a sua participação na vida colectiva. As suas idéias arrojadas tinham-lhe valido o exílio definitivo da cidade natal e da Prússia.

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