quarta-feira, 17 de junho de 2009

Breviário de decomposição


“Só a partir de Beethoven a música se dirige aos homens: antes, só conversava com Deus. Bach e os grandes Italianos não conheceram esse deslize para o humano, esse falso titanismo que altera, desde o Surdo, a arte mais pura. A torção do querer substituiu as suavidades; a contradição dos sentimentos, o ímpeto ingênuo; o frenesi, o suspiro disciplinado. O pecado fluía antes em doces prantos; veio o momento em que transbordou: a declamação venceu a oração, o romantismo da Queda triunfou sobre o sonho harmonioso da decadência...
Bach: languidez de cosmogonia; escada de lágrimas por onde sobem nossos desejos de Deus; arquitetura de nossas fragilidades, dissolução positiva — e a mais alta — de nossa vontade; ruína celeste na Esperança..."

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